Tenho refletido bastante sobre isso.
Recentemente li um artigo que provocava uma discussão interessante: se a Inteligência Artificial já é capaz de realizar análises, pesquisas, benchmarking, diagnósticos e produzir relatórios em minutos, qual será o papel das consultorias daqui para frente?
Como consultora, penso diariamente em como utilizar a IA para ampliar minha capacidade cognitiva e gerar mais valor para meus clientes.
Mas como ex-executiva, após mais de 20 anos liderando grandes operações de atendimento, confesso que essa reflexão me leva a uma constatação importante.
Durante muitos anos, contratei consultorias para apoiar projetos de transformação. E nem sempre saía satisfeita.
Muitas entregavam diagnósticos impecáveis, apresentações sofisticadas e análises muito bem estruturadas. Mas, em alguns casos, a sensação era que estavam apenas organizando em slides aquilo que a empresa já sabia.
O verdadeiro desafio surgia depois.
Como transformar recomendações em ação? Como engajar pessoas? Como superar resistências?
Como navegar pelas dinâmicas de poder, pela cultura organizacional e pelas particularidades de cada empresa?
É justamente aí que acredito estar a grande mudança no papel da consultoria. Se antes o valor da consultoria estava na produção do conhecimento, agora ele migra para a capacidade de implementação e transformação.
Estudando Gareth Morgan, tenho refletido sobre como muitas vezes tentamos enxergar as organizações como máquinas previsíveis, que podem ser analisadas, ajustadas e otimizadas. Mas organizações são muito mais complexas do que isso.
São sistemas vivos, compostos por pessoas, relações, crenças, interesses, emoções e aprendizados contínuos.
A IA certamente será capaz de produzir análises cada vez melhores.
Mas transformar uma organização continua exigindo algo que vai além da informação.
Exige compreensão do contexto. Exige liderança e capacidade de mobilizar pessoas. E exige experiência.
Ao mesmo tempo, Peter Senge já nos alertava que as organizações mais preparadas para o futuro seriam aquelas capazes de aprender continuamente.
Talvez o papel do consultor na era da IA seja justamente esse: menos especialista em respostas e mais facilitador de aprendizagem, desenvolvimento de capacidades e implementação de mudanças.
Porque conhecimento sem execução gera relatórios e a aprendizagem sem aplicação gera intenção.
Mas transformação acontece quando pessoas conseguem converter conhecimento em novos comportamentos e resultados.
Por isso continuo acreditando que o futuro da consultoria não está apenas em saber o que fazer.
Está em ajudar as organizações a fazer acontecer.
E você, acredita que a IA substituirá parte do trabalho das consultorias ou elevará o nível de valor que elas precisam entregar?